Os condutores portugueses preparam-se para mais um ligeiro ajuste na hora de abastecer. A partir da próxima segunda-feira, o preço do gasóleo simples deverá encarecer meio cêntimo por litro, enquanto a gasolina se vai manter inalterada. Segundo os dados adiantados pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), com base em fontes do setor, este cenário empurra o valor médio do gasóleo para os 1,579 euros por litro. A gasolina simples 95 ficará cristalizada nos 1,664 euros. Esta dinâmica de preços alinha-se com as estatísticas da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG), que na passada quinta-feira, 29 de janeiro, já apontavam o gasóleo aos 1,574 euros e a gasolina aos mesmos 1,664 euros.
Para lá destas flutuações semanais, pesa a cotação internacional do barril de Brent, que rondava os 67 dólares, servindo de barómetro para o mercado europeu. Estas estimativas do ACP assumem ainda um fator crucial: a atual política fiscal do Governo. O executivo já começou a desmantelar gradualmente as medidas extraordinárias que estavam em vigor, nomeadamente a redução do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) e a compensação da receita adicional do IVA.
O custo invisível da insegurança energética
Notícias sobre oscilações de cêntimos dominam o quotidiano, mas mascaram um problema global crónico. A energia fiável e acessível dita a saúde financeira das famílias e a sobrevivência das empresas. Perante choques no mercado, os governos reagem invariavelmente tentando mitigar os sintomas, uma estratégia que acaba por agravar a nossa dependência de mercados voláteis. Desde 2020, quase 5 biliões de dólares de dinheiros públicos foram injetados nos combustíveis fósseis. A segurança energética pura e simplesmente não pode ser comprada à base de apoios cada vez mais pesados.
A resposta duradoura exige exatamente o oposto. Reformar os subsídios aos fósseis é a via para garantir os quatro pilares da segurança energética: disponibilidade, acessibilidade, comportabilidade e aceitabilidade. Embora seja um processo que exija cautela, os ganhos traduzem-se rapidamente numa descida da poluição e num alívio para as contas públicas.
Reinvestir para proteger
Cortar apoios ao consumo de gasolina e gasóleo pode parecer uma sentença financeira para o cidadão comum. A maior parte destes subsídios nasce precisamente da imposição de tetos máximos aos preços da energia. Contudo, se olharmos para o panorama geral e para as tendências a longo prazo, percebemos que a eliminação deste controlo de preços é o que pode realmente tornar a energia mais barata.
A eliminação global dos subsídios ao consumo pouparia mais de 800 mil milhões de dólares, de acordo com dados de 2024. Este capital massivo poderia ser redirecionado de forma cirúrgica. Serviria para proteger os consumidores mais vulneráveis, ajudar o tecido empresarial a lidar com a fatura energética e incentivar a transição para alternativas mais limpas. Falamos de investimentos diretos em transportes públicos, infraestruturas para bicicletas, vias pedonais e na comparticipação para a compra de veículos elétricos (VE).
A mudança de paradigma na mobilidade
O futuro dos combustíveis fósseis promete ser tudo menos estável, assombrado por tensões geopolíticas, guerras comerciais e o peso crescente dos impostos sobre o carbono. Numa rota totalmente distinta, o cenário das energias renováveis e da mobilidade elétrica apresenta-se cada vez mais convidativo. Desde 2010, os custos dos painéis solares e das baterias de iões de lítio afundaram mais de 90%, e os das turbinas eólicas caíram entre 49% e 78%.
Quando somamos todos os custos de posse — do preço de compra ao combustível e à manutenção — muitos elétricos já batem os modelos a combustão, particularmente os de duas e três rodas e os carros com alta quilometragem. Na China, dois terços dos VE vendidos em 2024 eram mais baratos do que os seus equivalentes tradicionais, mesmo sem qualquer incentivo à compra. O ano de 2025 consolidou esta viragem, com as vendas de elétricos a ultrapassarem os veículos a combustão na União Europeia. Surpreendentemente, no mercado chinês, os camiões pesados 100% elétricos representaram mais de metade das novas vendas em dezembro de 2025, um segmento até então considerado de difícil transição devido a limitações de peso e autonomia.
Cavar um poço sem fundo
O setor empresarial não está alheio a esta transformação. A Fortescue, gigante australiana da extração de minério de ferro, assumiu a meta de eliminar as emissões das suas operações terrestres até 2030, apostando numa frota de camiões totalmente elétrica alimentada a renováveis. É um movimento que ganharia outra tração se as isenções fiscais aos combustíveis perdessem o seu vigor. A Índia traçou um caminho semelhante ao iniciar a eliminação progressiva dos subsídios à gasolina e ao gasóleo em 2010, fomentando a compra de elétricos. O resultado materializou-se num aumento de 45% nas vendas de carros elétricos indianos entre 2024 e 2025.
Apesar das constantes ruturas nas cadeias de abastecimento ditadas por sanções e conflitos, o instinto governamental tem sido atirar dinheiro para cima do problema. Só em 2024, gastaram-se cerca de 43 mil milhões de dólares a subsidiar a produção de fósseis, a que se somam 300 mil milhões injetados por empresas estatais de energia e 37 mil milhões em financiamento público internacional. Financiar este ciclo é insistir num modelo esgotado. Substituir todo o petróleo importado para transportes rodoviários por veículos elétricos permitiria cortar num terço a dependência energética mundial, traçando uma rota definitiva rumo à verdadeira independência.
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