Meningite B, Rotavírus e HPV para rapazes no PNV a partir de 1 de outubro

Inclusão das vacinas no Plano Nacional de Vacinação representa uma poupança de centenas de euros para as famílias. Com um […]

Inclusão das vacinas no Plano Nacional de Vacinação representa uma poupança de centenas de euros para as famílias. Com um reforço de quase 11 milhões de euros, o Plano Nacional de Vacinação (PNV) ganhou músculo financeiro e passa, a partir de hoje, a contar com mais três vacinas: meningite B, rotavírus e HPV (sendo que, no caso do HPV, se trata de um alargamento aos rapazes).

Meningite B

A vacina contra a meningite B poderá ser administrada de forma gratuita, nos centros de saúde, a todos as crianças nascidas a partir de 2019. Como a  imunização contra o vírus que provoca a doença é feita em três doses (aos 2 meses, 4 e 12 meses), as crianças que ainda só receberam uma ou duas doses poderão receber a restante (ou restantes) de forma gratuita até aos cinco anos.

A introdução desta vacina no PNV é uma medida positiva para a saúde financeira de muitas famílias.  Cada dose tinha um custo de 95 euros, o que perfaz uma despesa total de 285 euros, sendo que esta vacina é fortemente recomendada pelos pediatras. O pediatra Luís Varandas sublinha que, apesar de ser uma “doença rara”, há  cerca de 40 casos por ano em Portugal, sendo que é uma doença “potencialmente fatal em menos de 24 horas” e que não tem outra forma de proteção além da vacina.

Todos os anos morrem entre duas a três crianças em Portugal com meningite B e  pelo menos 20% de todos os casos da doença ficam com sequelas para toda a vida. Um estudo já feito em Portugal sobre esta vacina demonstrou uma eficácia de proteção da vacina da meningite B acima dos 80%.

Rotavírus

Já a inclusão no PNV vacina contra o rotavírus, que provoca gastroenterites, também era pedida há muito pelos pediatras.  Cerca de 50% das gastroenterites (muito comuns) são causadas por este vírus, sendo que as crianças até aos três anos são as mais atingidas (algumas desenvolvem até infeção graves, que obrigam a internamento hospitalar), explica a pediatra Isabel Esteves. No Reino Unido, a introdução da vacina demonstrou, por exemplo, uma  redução de cerca de 90% dos internamentos por rotavírus.

Sem comparticipação, esta vacina tem um  custo de 57 euros. Contudo, apenas vai ser administrada de forma gratuita a crianças de alguns grupos de risco, que ainda serão definidos pela DGS.

HPV (rapazes)

Quanto à vacina contra o Papiloma Vírus Humano (o HPV), que já estava incluída no PNV para as mulheres (de modo a prevenir o cancro do colo do útero, é agora alargada aos rapazes. A decisão surge na sequência de evidência científica divulgada nos últimos anos, que aponta para um benefício na prevenção de lesões genitais e anais e carcinomas orais.

“A investigação epidemiológica tem demonstrado em inúmeros países que os  cancros da orofaringe e da cavidade oral, apesar de serem raros, têm aumentado imenso de incidência “, sublinha a médica Isabel Esteves. “Há uma carga de doença significativa que podia ser evitada [com a vacinação dos rapazes]”, diz Luís Varandas.

Sem comparticipação, esta vacina é a mais cara das três:  cada dose custa 136 euros, sendo que o esquema vacinal é constituído por três doses.

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