Vacinar doentes cardíacos reduz complicações e mortalidade cardiovasculares

Texto sobre importância de vacinar doentes cardíacos escrito pela Dr.ª Regina Ribeiras, cardiologista no Hospital Lusíadas de Lisboa, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.

Nestes doentes crónicos, os doentes cardíacos, a presença de infeção grave destabiliza a condição clínica, aumentando a probabilidade de complicações potencialmente fatais. Vacinar é um ato que permite antecipar e impedir que se gere um círculo vicioso.

Dados publicados revelam uma incidência anual de cerca de 295 mil internamentos por pneumonia, durante o período de inverno. Nestes internamentos, a pneumonia é responsável por cerca de 20% de mortalidade, o que é bastante elevado quando comparado, por exemplo, com a mortalidade global da Covid-19 de 4% a 11% nos doentes cardíacos vulneráveis.

Efetivamente nos últimos anos foi demonstrado que a pneumonia é um fator de risco cardiovascular a curto e longo prazo. Em estudos publicados em 2015 e 2017 investigadores identificaram que indivíduos com mais de 65 anos sem história prévia de doença cardíaca apresentavam cerca de seis vezes mais risco de desenvolver doença cardiovascular nos primeiros 30 dias após infeção respiratória grave e que esse risco, apesar de baixar com o tempo, permanecia elevado até cerca de cinco anos depois.

Esta relação causal entre infeção respiratória grave, viral ou bacteriana e complicações cardiovasculares resulta do facto de a exposição ao microrganismo infetante desencadear um processo modificador da parede de revestimento das artérias (o endotélio) e simultaneamente induzir um quadro pró-trombótico.

A exposição ao vírus da influenza, sobretudo se complicada de pneumonia, por um lado, torna instáveis as placas de aterosclerose que já existam nas artérias, tornando-as suscetíveis à formação de coágulos à sua superfície. Por outro, ao promover a libertação de proteínas inflamatórias, determina um verdadeiro estado pró-trombótico. Juntam-se assim dois fatores que, combinados,podem levar à oclusão das artérias do coração (coronárias) ou cerebrais que se manifestam como graves complicações cardiovasculares como o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC).

Acresce a estes dois mecanismos a utilização muito frequente no decurso da gripe de comprimidos anti-inflamatórios não-esteroides, que também são pró-trombóticos. Finalmente, a ocorrência muito frequente de uma arritmia cardíaca designada de fibrilhação auricular, sobretudo nos doentes com pneumonia, está associada à formação de coágulos no interior das cavidades cardíacas que podem levar a embolia pulmonar ou cerebral, como complicações mais graves.

Estes são os chamados mecanismos fisiopatológicos, que são promotores do acréscimo de mortalidade cardiovascular e cerebrovascular, durante os períodos de pico de infeção, quer pelo vírus da gripe (influenza), quer pela bactéria Streptococus Pneumonia. A pneumonia bacteriana pode surgir também como complicação no decurso de infeção viral por gripe. Para qualquer um destes dois microrganismos existe vacina.

Portanto, é de vital importância identificar os doentes em risco, a fim de evitar as infeções respiratórias graves e estabelecer um tratamento personalizado caso ocorram. Efetivamente, o impacto da vacinação,quer para o vírus da gripe, quer para a pneumonia bacteriana, na redução das complicações e da mortalidade cardiovascular é enorme.

A mensagem principal a passar é que as pessoas se vacinem, sobretudo os mais idosos, bem como os doentes com insuficiência cardíaca crónica, com doença cardíaca isquémica (por exemplo, quem já teve enfarte do miocárdio) e ainda com hipertensão arterial pulmonar, tal como previsto nas normas da Direção-Geral da Saúde.

 

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