OMS. Vacina da AstraZeneca para maiores de 65 e com intervalo de até 3 meses entre tomas

Os peritos da OMS notam que a eficácia desta vacina tende a ser maior quando o intervalo entre a primeira e a segunda dose é mais longo.

11 Fevereiro, 2021

O Grupo Consultivo Estratégico de Peritos em Imunização (SAGE) da Organização Mundial de Saúde (OMS) defendeu que a vacina AstraZeneca pode ser administrada a pessoas com mais de 65 anos.

A posição foi transmitida em conferência de imprensa, no seguimento de uma reunião do grupo realizada na segunda-feira, para analisar a eficácia da vacina.

Vários países, incluindo Portugal, recomendaram que a vacina não fosse administrada a pessoas com mais de 65 anos, por haver dúvidas sobre a eficácia nesse grupo etário.

Alejandro Cravioto, presidente do SAGE, recomendou que a vacina fosse administrada a todos os grupos etários (com algumas exceções por falta de informação, como mulheres grávidas), independentemente das variantes que predominem nos países.

Nas recomendações, provisórias, os peritos da OMS notam que a eficácia da vacina AstraZeneca tende a ser maior quando o intervalo entre a primeira e a segunda dose é mais longo, e sugerem um intervalo entre oito a 12 semanas entre as duas doses.

A OMS recomenda também que não devem ser administradas vacinas diferentes contra a covid-19. Diz que deve haver um intervalo de 14 dias entre a vacina da AstraZeneca e qualquer outra vacina comum, assegura que não foram até agora registadas reações alérgicas à vacina e que ela pode ser administrada a quem esteja, por exemplo, constipado.

Alejandro Cravioto reconheceu que nos ensaios da vacina houve um número “relativamente pequeno” de participantes com mais de 65 anos, e que houve poucos casos de covid-19 quer dos que levaram a vacina quer do grupo de controlo, razão pela qual o intervalo de confiança na estimativa de eficácia é muito largo, esperando para breve estimativas de eficácia mais precisas.

No entanto, acrescenta a OMS, as respostas imunitárias induzidas pela vacina em pessoas mais idosas são semelhantes às de outros grupos etários, e os dados indicam que a vacina é segura para pessoas com mais de 65 anos.

De resto os peritos aconselham a vacina para pessoas com comorbilidades, como obesidade ou doenças cardiovasculares, ou diabetes, não a recomendam para menos de 18 anos por falta de dados sobre a eficácia, e também não recomendam para mulheres grávidas, exceto se o benefício for superior aos riscos de vacinação. E dizem que não há dados suficientes sobre a vacinação para pessoas com sida ou doenças autoimunes.

A vacina AstraZeneca, importante para a OMS porque é uma das que vai ser distribuída (mais de três centenas de milhões de doses) pelo mecanismo COVAX (iniciativa para uma distribuição global e equitativa de vacinas), ao contrário de outras pode ser conservada numa rede normal de frio, o que foi salientado hoje na conferência de imprensa.

“É uma das vacinas que podem ser armazenadas em frigoríficos normais, por isso vai ser muito útil”, disse o cientista chefe da OMS Soumya Swaminathan.

Alejandro Cravioto admitiu que a vacina possa ter menos eficácia em relação às novas variantes do novo coronavírus mas acrescentou que há dados que indicam que protege contra casos graves de covid-19, embora possa ser menos eficaz em casos ligeiros.

“Não há nenhuma razão para não a aconselhar, mesmo em países onde circulam as novas variantes”, disse.

Um estudo feito na semana passada na África do Sul, onde circula uma das novas variantes, indicou que a eficácia da vacina AstraZeneca era muito limitada, podendo ser apenas de 22%, o que levou o país a adiar a distribuição.

Na conferência de imprensa Soumya Swaminathan disse no entanto que não se devem comparar vacinas nem esperar por outras melhores, porque “qualquer vacina disponível é melhor do que esperar”.

Também Katherine O´Brien, diretora de imunização da OMS, sublinhou que é sempre preferível vacinar, mesmo que a eficácia seja menor.

Nas recomendações apresentadas hoje os peritos da OMS não defenderam que sejam vacinados os viajantes internacionais, dado que ainda há poucas vacinas disponíveis no mercado.

A eficácia da vacina AstraZeneca está estimada em 70%, enquanto as vacinas Pfizer/BioNTech ou Moderna têm uma eficácia superior a 90%.