Vacinas. AstraZeneca vai entregar apenas metade das doses previstas

Farmacêutica britânica enfrenta atrasos na produção. Deste modo, primeira fase da vacinação em Portugal deve estender-se até abril.

É mais uma farmacêutica a comunicar atrasos na produção que põem o causa o fornecimento de vacinas à União Europeia. A AstraZeneca vai, assim, entregar apenas metade das doses previstas nos meses de fevereiro e março.

A comissário de Saúde da UE, Stella Kyriakides, já expressou “profunda insatisfação” com a notícia. Fonte da UE disse à Reuters que as entregas serão reduzidas para 31 milhões de doses, o que representa um corte de 60%, no primeiro trimestre deste ano, já que a empresa deveria entregar cerca de 80 milhões de doses até 27 até março.

Também a Pfizer tinha anunciado, na semana passada, que ia reduzir temporariamente os fornecimentos para a Europa para fazer mudanças no processo de fabrico de forma a aumentar a produção.

 

Portugal com quebra de 50%

 

O coordenador da ‘taskforce’ do Plano de Vacinação da covid-19, Francisco Ramos, garante que o atraso da vacina AstraZeneca/Oxford não comprometerá a primeira fase do plano português, mas não permitirá antecipá-lo, admitindo uma quebra de 50% do esperado.

“Estamos a falar de um atraso superior a 50% daquilo que estava programado [a nível europeu], o que no caso português significaria em vez de 1,4 milhões de doses previstas para fevereiro e março, receber 700 mil doses [da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford com a farmacêutica AstraZeneca]. Ainda é possível que esse número seja revisto em alta. Será discutido na próxima semana a nível europeu”, referiu Francisco Ramos.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador da ‘taskforce’ do Plano de Vacinação da covid-19 admitiu “um percalço” com o que era esperado, apontando que “a Astrazeneca, de facto, está com dificuldades em cumprir o calendário de produção”, tendo proposto “nos últimos dias, uma redução muito acentuada de entregas para os próximos dois meses”.

“De qualquer forma, para Portugal, esse número permite-nos cumprir o Plano Nacional da forma como estava delineado, terminando a vacinação das pessoas incluídas na fase um até abril. O que não vai permitir é a antecipação para março”, acrescentou o responsável.

Francisco Ramos explicou que “chegou a estar nos planos antecipar a vacinação da primeira fase”, que corresponde a 950 mil pessoas entre as quais profissionais de saúde, residentes em lares, pessoas com comorbilidades mais severas e alguns profissionais de serviços essenciais, “para o final de março”, mas o anúncio do grupo britânico AstraZeneca/Oxford obrigará a manter abril como horizonte temporal.

A vacina da AstraZeneca, desenvolvida com a Universidade de Oxford, ainda não foi aprovada pelo regulador de medicamentos da UE, mas espera-se que receba luz verde no final deste mês.

Entretanto, a Itália anunciou que vai processar as duas empresas pelos atrasos, que são, segundo o primeiro-ministro italiano Giuseppe Conte “inaceitáveis” e representam uma séria violação das obrigações contratuais.

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