Investigador Carmo Gomes defende alargamento do período entre tomas

Alargamento até seis semanas permitiria vacinar até março os maiores de 80 anos e as pessoas de alto risco, aumentando o número de primeiras doses administradas.

5 Fevereiro, 2021

Foto: Público

O epidemiologista Manuel Carmo Gomes defendeu o alargamento do período entre as duas tomas da vacina contra a covid-19 até seis semanas para conseguir vacinar até março os maiores de 80 anos e as pessoas de alto risco.

“O alargamento do tempo entre a primeira e a segunda dose até seis semanas não tem problema nenhum e tinha uma grande vantagem, permitia-nos vacinar o maior número possível de pessoas no menor tempo possível”, defendeu o professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em declarações à agência Lusa.

Com este alargamento, conseguia-se terminar a vacinação na primeira fase de todos os maiores de 80 anos e das pessoas com mais de 50 anos com comorbilidades ainda dentro do mês de março.

“Isto seria excelente”, disse, ressalvando, contudo, que o processo também está condicionado pelo número de vacinas que vão chegando.

Sobre o prazo estabelecido para a vacinação, Carmo Gomes explicou que as companhias Pzifer e a Moderna fizeram ensaios clínicos “muito mais acelerados” do que é habitual.

Uma das formas de acelerar foi espaçarem a primeira e a segunda dose nos tempos mínimos que lhes pareciam que eram admissíveis 21 dias e 28 dias, mas isto não é normal. Isto foi feito devido à situação catastrófica em que nós estamos”, salientou.

Segundo o investigador, o que “é normal” é fazer um espaçamento entre doses muito superior, apontando que no Programa Nacional de Vacinação o tempo recomendado pela Comissão Técnica da Vacinação na primovacinação das crianças são dois meses.

“Aquilo que é normal, recomendável, são as oito semanas, não são os 21 dias nem as quatro semanas, e do ponto de vista imunológico não há desvantagem em alargar o período de tempo entre as duas doses”, reiterou.

Lembrou que na terça-feira saiu um ‘preprint’ na revista Lancet para a vacina da Astrazeneca que mostra que se for alargado o tempo que decorre entre a primeira e a segunda dose até às 12 semanas, “a eficácia da proteção conferida pela primeira dose vai sempre subir e se a segunda dose for dada às 12 semanas ou mais tarde a proteção conferida até é mais alta”.

“Portanto, as pessoas não têm de ficar alarmadas, especialmente as pessoas que entraram no mundo da vacinologia há pouco tempo”, comentou Carmo Gomes.

Defendeu ainda que, se Portugal confinar até um nível de incidência aceitável pelo SNS (3.500 a 4.000 novos casos por dia), reforçar a testagem e conseguir vacinar o maior número possível de pessoas até meados de março, “o problema será ultrapassado pelo menos do ponto de vista de saúde pública e de capacidade de controlo da epidemia”.

“Nós ganharíamos muito em conseguir combinar esta estratégia (…), aliviaria o sistema nacional de saúde, baixaríamos a incidência e o horizonte que se abriria seria muito melhor do que aquilo a que nós estamos agora”, declarou.

Para o investigador, “é fundamental não desconfinar precipitadamente” e seguir as orientações da Comissão Técnica de Vacinação”, constituída por um grupo de pessoas com experiência em vacinologia e imunologia que dá recomendações à ‘Task Force’, que, afirmou, “podem ser aceites ou não”.

“Acho que com o esforço que todos estamos a fazer merecemos que haja a capacidade de visualizar uma estratégia deste tipo para não estragar aquilo que nós já conseguimos fazer nas últimas três semanas”, rematou.

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