Dúvidas sobre a vacinação contra a covid esclarecidas em webinar

Vários foram os esclarecimentos feitos no webinar, que decorreu dia 30 de janeiro, promovido pela APMGF, com o objetivo de clarificar questões sobre a vacinação covid.

Estiveram presentes, nesta conversa sobre dúvidas relativamente à vacinação contra a covid-19, o vice-diretor do Instituto de Medicina Molecular António Lobo Antunes, Bruno Silva Santos, o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, Ricardo Mexia, o professore de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), Luís Graça, a especialista em MGF e responsável pelo Grupo de Estudos de Saúde do Idoso (GESI), Margarida Dias, bem como o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), Nuno Jacinto.

A este painel, juntou-se ainda o especialista em Medicina Interna no Hospital Fernando da Fonseca (usualmente conhecido como Amadora-Sintra), Luís Cuña e ainda a dermatologista Patrícia Santos do Hospital do Espírito Santo, em Ponta Delgada, ambos médicos com a particularidade de já terem sido infetados pelos vírus SARS-CoV-2.

Nesta sessão online, uma das dúvidas que foi esclarecida é que alguém que já tenha tomado a primeira dose da vacina da covid-19 e que, entretanto, tenha sido infetado com o vírus da covid-19 não deve tomar a segunda dose da vacina neste momento.

O motivo para tal, segundo explicou Ricardo Mexia, deve-se ao facto de “a vacina ser ainda um bem escasso e por isso foi definido que pessoas que já tiveram esta infeção não serão privilegiadas nesta fase, exatamente por já terem tido um primeiro contacto com o vírus e terem uma imunidade que dura, pelo menos, cinco meses após a infeção”.

O também epidemiologista acrescentou que “Ainda não é muito claro se será justificado ou não fazer esse reforço [segunda dose], visto que ainda não sabemos a duração da imunidade adquirida, seja esta pela via vacinal ou pela via da infeção natural. Quando tivermos mais dados também será mais fácil de tomar decisões sobre as pessoas que numa fase inicial não foram vacinadas, por terem no momento, ou já terem tido a doença”.

Todos os especialistas reforçaram a importância de a população portuguesa ser vacinada e no menor tempo útil possível, reforçando ainda a credibilidade que esta vacina possui ainda que, ao contrário de quase todas as outras, ter sido aprovada num período de tempo mais curto do que o habitual.

Para os mais céticos, Bruno Silva Santos esclareceu que “A rapidez desta vacina se deveu ao enorme avanço tecnológico nas últimas duas décadas, que desenvolveu plataformas para vacinação, através de parâmetros pré-estabelecidos. Isso foi possível, sobretudo, devido aos volumosos investimentos que têm sido feitos na ciência. E só isso permitiu que conseguíssemos chegar aos níveis de eficácia naquilo que é considerado “pouco tempo”, como chegámos”.

O investigador e vice-diretor do Instituto de Medicina Molecular (iMM), Bruno Silva Santos, reforçou ainda essa mesma eficácia explicando que, “Mais do que uma autorização normal de um fármaco, esta autorização em emergência foi sujeita a uma avaliação passados 60 dias da segunda dose – caso houvesse duas tomas como acontece no caso das vacinas da Pfizer e Moderna – para avaliação de todos os efeitos secundários, durante os ensaios clínicos. Ensaios esses onde participaram cerca de 30 ou 40 mil pessoas em cada ensaio de fase III, não havendo nenhum efeito secundário grave associado a esta fase tardia. Sendo assim esta vacina situa-se na mesma margem de segurança a que todas as vacinas concorrentes tiveram de ser submetidas, relativamente aos efeitos secundários pós toma”.

Os especialistas Patrícia Santos e Luís Cuña, ambos já anteriormente infetados com o vírus SARS-CoV-2, esclarecem quais foram os tipos de efeitos que apresentaram após a infeção. “A seguir à primeira dose, trabalhei normalmente nos quatro dias que se seguiram. Apenas tomei paracetamol, porque sentia algumas dores musculares e articulares”, esclareceu a dermatologista.

Já Luís Cuña, que ficou infetado em junho de 2020, referiu o mesmo tipo de sintomas nas primeiras 48 horas, acentuando-se em dores de cabeças intensas, bem como uma prostração mais severa.

“Já passam 7 meses deste que contraí a infeção e continuo com queixas principalmente de cansaço, bem como episódios de cansaço extremo pós esforço, com uma diminuição da força respiratória – parece que me tiraram as baterias e puseram umas pilhas mais velhas. Em muitos casos esta não é uma doença aguda, pois mesmo em casos mais leves deixa marcas. Desta forma aconselho a todos que tomem a vacina, para evitar episódios mais complexos”.

Sendo uma das dúvidas dos portugueses, a reação da vacinação em pessoas mais idosas, o professor de Imunologia da FMUL esclarece “Se nós repararmos a situação em Israel, onde existe uma grande quantidade de pessoas que já foram vacinas, mesmo na população acima dos 60 anos o impacto da vacinação está a ser positivo, ainda que que a capacidade das pessoas idosas de responderem imunitariamente às vacinas vai diminuindo gradualmente com a idade”.

O investigador acrescenta ainda que “temos pessoas idosas que, sendo vacinas, vão desenvolver imunidade à doença e estão frequentemente mais protegidas, tendo uma menor probabilidade de ter evoluções que conduzam ao seu internamento ou até à morte”.

A especialista de MGF, Margarida Dias, esclareceu ainda outra das dúvidas que algumas pessoas que não estão inscritas no Serviço Nacional de Saúde (SNS) possuem: “para serem igualmente vacinadas, basta estas pessoas pedirem ao seu médico assistente uma declaração sobre a doença que tem e qual o grupo de prioridade onde devem estar inscritos, consoante as prioridades. Esta é uma medida que se adequa ainda a estrangeiros não inscritos no SNS, médicos e reformados.

Relativamente à toma da vacina por grávidas, “Não há estudos ainda para a gravidez, período de amamentação ou impacto na fertilidade. Os médicos modem avaliar caso a caso. Decorrem agora estudos para a avaliação da toxicidade embrio-fetal na utilização da vacina”.

Sobre novas variantes deste vírus foi esclarecido que “a proteção mantém-se e é possível adaptar a vacina a novas extirpes que venham a surgir”.

Foi recomendado pelos especialistas que pessoas que fazem medicação imunossupressora devem falar com o seu médico assistente, pois a decisão da toma da vacina deverá ser feita tendo em conta cada caso em particular”.

Ainda questionados sobre a existência de algum tempo de intervalo a respeitar entre a toma da vacina da gripe a da covid-19, foi esclarecido que este não é necessário, pois “não, pois não há interferência entre as duas vacinas”, justificou o vice-presidente do iMM.

 

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