Consulta do viajante: “Há viagens consideradas falsamente seguras”

A consulta do viajante tem como objetivo primordial assegurar a prevenção da doença e a manutenção de um bom estado de saúde durante a viagem.

Em entrevista, a médica de Saúde Pública Sofia Ribeiro explica importância da consulta do viajante (agora também disponível online, à noite e fins-de-semana) e enumera alguns tipos de viagem que são considerados falsamente seguros.

Quanto tempo antes da viagem deve ser realizada a consulta?

O período que recomendamos é pelo menos um mês, por várias razões. Em primeiro lugar, porque muitas vezes é necessário fazer vacinas ou outras medicações que têm de ser iniciadas com várias semanas de antecedência, sob pena de não terem o efeito protetor desejado.

Em segundo lugar, porque a obtenção das vacinas e de alguns dos fármacos pode ser mais demorada em algumas áreas geográficas, ou em períodos de maior afluência.

E em terceiro lugar, porque nos permite esclarecer qualquer dúvida que os viajantes tenham antes da viagem ou propor alterações de roteiro, evitando “problemas de última hora” que podemos já não conseguir resolver.

Quais as vacinas indispensáveis para quem quer viajar?

Há vacinas recomendadas para alguns destinos, sendo que alguns países requerem prova de administração de determinadas vacinas para entrada no país, como por exemplo a vacina da febre amarela, e até mesmo para a obtenção do próprio visto de entrada.

Ainda subsistem alguns mitos relativamente a esta consulta?

O principal mito é que a consulta não é necessária, porque os viajantes consideram não estão em risco de doenças. Outros consideram que por terem experiência em viajar, já conhecem todos os cuidados a ter durante as viagens. Por fim, ainda há muitos mitos em relação à profilaxia da malária, que tentamos desmistificar nas nossas consultas.

Que destinos são ´falsamente’ considerados seguros?

Na minha opinião, não há destinos considerados falsamente seguros, há tipos de viagem consideradas falsamente seguras. Posso dar vários exemplos. A ida para resorts em países tropicais é muitas vezes considerada como viagem que não é de risco, mas uma viagem “de aventura” para o mesmo destino já é percecionada pelo viajante como mais arriscada.

Claro que as viagens de aventura, pelas suas características próprias e pelas atividades que implicam, podem ser  consideradas de maior risco à partida, mas mesmo em resorts muitos dos riscos de saúde são idênticos, ainda que do ponto de vista da segurança física se esteja mais protegido.

Viagens em contexto de trabalho também são tradicionalmente consideradas de pouco risco, assim como as que são organizadas por agências de viagens. Acampar em vários países europeus considerados seguros pode expor os viajantes à febre da carraça, por exemplo.

Em suma, o risco depende fundamentalmente das características do destino (doenças existentes, condições de segurança) e dos comportamentos do viajante, como alimentação e atividades. Importante referir que as ameaças à saúde estão em constante atualização, pelo que mesmo que a pessoa já tenha viajado para esse destino e o considere segura, deve procurar informação atual sobre o mesmo.

Em viagem, qual é o principal sinal de alarme que pode indicar uma infeção?

As pessoas devem estar atentas a sintomas anormais, como por exemplo febre, alterações na pele, alterações da consciência e alterações gastrointestinais que excedem as 48 horas de duração. Devem contactar um profissional de saúde se os sintomas agravarem ou são conseguirem ser resolvidos com o kit SOS que costumamos prescrever nestas situações.

Em Portugal, onde se podem realizar estas consultas?

Estas consultas podem realizar-se nos serviços do SNS, em alguns hospitais e centros de saúde específicos, bem como em serviços de saúde privados, de norte a sul do país, incluindo através de telemedicina.

Quais a vantagem da consulta do viajante à distância? Tem sentido um aumento da procura por esta consulta?

A consulta do viajante à distância tem inúmeras vantagens. Em primeiro lugar, os viajantes podem estar em qualquer lugar, uma vez que não necessitam de se deslocar a um consultório médico. Em segundo lugar, como é o exemplo da nossa Consulta do Viajante, permite horários mais flexíveis (incluindo noite e fim-de-semana), o que é extremamente vantajoso. Em terceiro lugar, permite a marcação de consultas urgentes com maior facilidade, particularmente nos casos em que os viajantes têm dificuldade em se deslocar a um serviço presencial.

A procura da consulta do viajante à distância tem aumentado, com uma diminuição expectável devido às recentes restrições de mobilidade.

eV/TC

 

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